A inutilidade de escrever
O mundo pode estar acabando, mas ainda é Natal

Créditos da foto.

Recentemente, assisti ao filme soviético “Cartas de um Homem Morto”, de 1986. O filme conta a história de um mundo pós-apocalíptico após a explosão de uma bomba nuclear. Ele foca no protagonista, um professor que escreve cartas para o seu filho morto, mantendo a sua esperança. Diferente das outras pessoas, ele tenta manter uma vida de normalidade, apesar de tudo, até mesmo montando uma árvore de Natal em um bunker com crianças, porque é tudo que lhe resta. O filme é pesado, me fez chorar por dias, me marcou bastante. Ele também me lembrou o motivo pelo qual escrevo.

Eu escrevo desde criança, comecei com um blog de minecraft, onde eu escrevia sobre curiosidades do jogo, lendas como Herobrine e também tutoriais. Na adolescência, passei a escrever poemas para dar uma vazão ao meu excesso de sentimentalismo. Eu os guardo com carinho, alguns deles são bregas, outros bons e outros ruins.

Quando tive contato com redes sociais, percebi que me dava mal em redes de imagens ou vídeos, preferindo microblogging. Por isso, tinha uma conta fechada no Twitter, onde eu postava bastante sobre meus pensamentos, reflexões e vivências. Por último, criei este blog no final de 2025, como uma resposta à minha dificuldade em me adaptar às redes como YouTube, Instagram e TikTok. A questão que ainda fica é: por que eu escrevo?.

Sinceramente, por muito tempo não tive a resposta, era algo natural do meu ser. Entretanto, através do filme, eu finalmente cheguei à resposta. Eu escrevo para me afirmar enquanto ser humano, para afirmar minhas ideias.

Pois bem, eu acredito que ninguém lia um blog de minecraft feito por uma criança, ninguém leu meus poemas, ninguém lia meu Twitter e provavelmente ninguém lê esse blog. Então, escrever pode parecer um ato “inútil”. Mas eu não enxergo dessa forma, ele é essencial para quem eu sou.

Como uma pessoa com dificuldade de socialização, timidez e tantos outros problemas, escrever foi o que me restou. É através da escrita que eu tenho um espaço seguro para organizar minhas ideias, debatê-las, pô-las em prática. É através da escrita que eu tiro da minha cabeça todas as conexões que eu faço entre diferentes obras de arte. É através da escrita que eu me afirmo enquanto pessoa, que eu expresso minha personalidade. É através da escrita que eu afirmo para o mundo, mesmo que ninguém veja, que eu sou um amante de arte.

Escrever é tão inútil quanto montar uma árvore de Natal num bunker em um mundo destruído. Ambas as atividades não vão resolver nenhum problema prático. Mas isso é niilismo ativo: é negar o caos do mundo e aprender a criar os seus próprios valores. O mundo pode estar acabando, mas ainda é Natal. Pode ser que ninguém leia o meu blog, mas eu continuarei escrevendo.

É através da escrita que eu sou humano, que eu reconheço meus interesses pessoais, que eu falo: eu existo. Por isso, por mais inútil que a escrita seja, também é a coisa mais importante para mim.


Última modificação em 2026-02-18